A joia do deserto

Quando eu tinha alguns anos a menos do que eu tenho agora, minha avó um dia me chamou para mostrar uma reportagem sobre uma cidade que desaparecia nas dunas do Saara - que, aqui, eu vou chamar de deserto crescente (como em "Antes do fim do dia" - da autora Marianna Roman - disponível na nossa loja on-line (calcula-se que o deserto do Saara avance para o sul a uma velocidade de cinquenta quilômetros por ano.)) Havia uma constante de vozes de um idioma rápido e engraçado na reportagem, mas alegres, apesar da preocupação, com a preservação de manuscritos raros que se abrigavam nas bibliotecas daquela cidade minúscula que ia aos poucos sumindo entre a areia.


Chinguetti é uma antiga cidade do centro-oeste da Mauritânia, na região de Adrar, fundada em 777, no século 11, como o centro de várias rotas comerciais que atravessavam o deserto do Saara e se tornando também um centro de estudos religiosos e científicos na África Ocidental.


Pinturas que remontam à Idade da Pedra que existem perto de Chinguetti, retratando a região como um oásis daqueles que a gente só vê em filmes (tipo "A múmia"). As mudanças climáticas estão trazendo longos períodos de secas e erosão extrema, provocando a desertificação ambiental, que trazem consigo tempestades de areia mais frequentes e severas.


No passado, Chinguetti era uma próspera cidade de 20.000 habitantes e agora menos de 5.000 pessoas moram no paupérrima lugar. À medida que a cidade desaparece lentamente sob a areia, com suas construções feitas em pedra avermelhada e lama seca, algumas das últimas famílias restantes se agarram ao seu precioso tesouro – uma das melhores coleções de manuscritos islâmicos antigos. Muitos desses livros foram escritos em pele de gazela, e protegidos por capas feitas com pele de cabra. Dispostos em prateleiras abertas e vulneráveis ao clima desértico, estes livros e manuscritos estão literalmente virando pó. A mais importante e rica destas bibliotecas é considerada uma das mais antigas de todo o Islã.


Há meio século atrás, havia trinta bibliotecas com volumes antigos e milhares de manuscritos. Agora, apenas cinco dessas bibliotecas sobreviveram e são vigiadas pelas mesmas famílias que passaram esses tesouros literários por gerações.


Chinguetti é mencionada em dois livros da Quimera: "Antes do fim do dia", já mencionado no artigo, e "Café Orfeu" - ambas obras da autora Marianna Roman. A primeira está à venda na nossa loja on-line e a outra é uma obra exclusiva para assinantes do nosso box club.


Para saber mais sobre Chinguetti e outras obras, continue lendo nossos artigos e nossos livros.



Até a próxima.


Por Olivia Lemos.

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